Sabe-se que reincidência é quando o agente pratica novo crime após o trânsito em julgado de sua condenação por crime anterior. Trata-se de circunstância agravante genérica de caráter subjetivo, sendo, pois, incomunicáveis ao autor ou partícipe.
Alguns doutrinadores ostentam a inconstitucionalidade da reincidência diante do princípio do ne bis in idem, pelo qual ninguém pode ser punido mais de uma vez pelo mesmo crime. Não obstante tal discussão, o Código Penal sustentou, em sua parte geral, a reincidência como causa agravante da pena.
Na legislação brasileira, a reincidência é regulamentada tanto no Código Penal, como na Lei de Contravenções Penais, in verbis:
Art.63, Código Penal – “Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.”
Art. 7°, Lei de Contravenções Penais – “Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado no Brasil ou no estrangeiro por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção.”
Destarte, quando se fala em contravenção, aplica-se, para efeitos de verificação de reincidência, o art. 7° da Lei de Contravenções Penais e não o Código Penal.
Diante de tais considerações, vejamos algumas hipóteses de reincidência:
1° Agente comete crime no Brasil e, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, pratica outro crime no Brasil.
Verifica-se a reincidência com base no art. 73, Código Penal.
2° Agente comete crime no exterior e, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, pratica novo crime no Brasil.
Da mesma maneira, diante da perfeita adequação da situação ao art. 73, verifica-se a reincidência.
3° Agente comete crime no exterior e, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, pratica novo crime no exterior.
É reincidente.
4° Agente comete crime e, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, pratica uma contravenção penal.
Neste caso, analisando o art. 7° da Lei de Contravenções Penais, verifica-se a reincidência do agente.
5° Agente comete contravenção e, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, pratica crime.
Aqui, interessante questão a se analisar. Não se verifica a reincidência ante a omissão do Código Penal e da Lei de Contravenções Penais quando se trata de prática de contravenção e, após o transito em julgado, a prática de um crime. O legislador, por provável inobservância, regulou a reincidência apenas no caso de pratica de contravenção, depois do transito em julgado de crime ou contravenção e não regulou a hipótese da prática de um crime após o transito em julgado de uma contravenção.
Percebe-se a incoerência da lei ao considerar reincidente o agente que comete um crime e depois uma contravenção, e não incidir tal reincidência quando da prática de uma contravenção e, após o trânsito, um crime.
1 comentários:
Boa tarde, você foi perfeita e objetiva. Qualidade essa sempre esposada em seus artigos, sinto não ter lido todos, mas, oportunidades não irão faltar. E sorte no estágio.
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